As Lawtechs pedem passagem e o cenário é ideal para isso

As Lawtechs pedem passagem e o cenário é ideal para isso

Pandemia, LGPD e flexibilização de regulamentações do setor jurídico: a conjunção desses três fatores fez com que as empresas de tecnologia do setor conseguissem ocupar um espaço que, até então, vinham tendo dificuldade para atingir — mais por desconfiança do próprio setor do que pelos serviços que oferecem.

Existe enorme resistência à adoção da tecnologia no Direito: quem se opõe a ela normalmente argumenta que sua aplicação vai substituir funções inerentes aos advogados e, com isso, causar a obsolescência e desemprego de um sem número de profissionais. No entanto, não há nada na atuação das lawtechs que sugira um cenário tão desolador para o profissional de Direito.

Um exemplo disso tem sido o próprio cenário de pandemia: com a necessidade de agilizar processos em um ambiente de trabalho majoritariamente remoto adotado por inúmeros escritórios, as lawtechs trouxeram soluções que poderiam ter sido subutilizadas — como já foram — num cenário de atividades presenciais a pleno vapor.

Entre as soluções mais requisitadas, a automação de processos, inteligência artificial e uso de big data são as tecnologias mais utilizadas pelas startups com alguns exemplos destacados de sua aplicação:

1. Obtenção de documentos legais: 

A burocracia para se conseguir juntar a papelada de análises de crédito, juntas comerciais, ambientais, certidões, entre outras, já é velha conhecida tanto dos profissionais de direito quanto da população.

Há plataformas que praticamente neutralizam o tempo perdido com a burocracia e automatizam a obtenção de documentos por meios de seus SAAS (Software As A Service);

2. Gestão de escritório de advocacia

Uma das tecnologias mais requisitadas durante a pandemia. As soluções para captura de informações processuais, publicações e diligências, por exemplo, têm sido mais que necessárias para o trabalho em regime de home-office.

Os softwares de gestões internas deram aos escritórios dinâmicas de trabalho capazes de superar até mesmo a organização e produtividade em regimes de atividades presenciais;

3. Inteligência artificial

Integração de bases de dados e outros softwares, permitindo a associação de informações jurídicas de acordo com a natureza dos casos, a área relacionada, dados dos clientes, entre uma série de outras variáveis.

O acesso rápido a esse tipo de informação por meio de metadados, palavras-chave e outras informações coletadas diretamente dos usuários é o que ajuda na obtenção e organização de informações processuais.

Essas tecnologias não chegaram por acaso. Elas são fruto da necessidade de otimização de tempo e agilidade tanto em procedimentos internos de escritórios quanto na tramitação de processos jurídicos, onde quer que seja.

A sociedade atual demanda celeridade e precisão nos serviços prestados e as práticas jurídicas não são uma exceção a essa necessidade. É preciso que as normas e regulamentações específicas do setor sejam capazes de se adequar a essas demandas e permitir que as lawtechs possam oferecer cada vez mais ferramentas auxiliares das práticas jurídicas.

Tanto profissionais quanto a própria população só têm a ganhar.

Alexandre Bertolami
Sócio

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